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Apps Freemium x Apps pagos: como os aplicativos ganham dinheiro e como isso afeta as crianças

O mercado de aplicativos está em constante crescimento e mudança, e as crianças são um público importante e muito visado dentro desse meio. Hoje vamos falar sobre as diferenças entre dois modelos de apps que podem fazer toda a diferença no conteúdo e na vida das crianças. São os apps Freemium e Premium (ou pagos)

O que é monetização?

Monetização é a forma que o aplicativo ganha dinheiro. Existe alguns modelos de monetização para aplicativos:

  • Apps pagos: quando você paga pelo app e por todo o conteúdo dele uma única vez. Não têm propagandas.
  • Apps de assinatura: quando você paga periodicamente. Pode ser todo o mês, todo o semestre ou todo o ano. Os aplicativos com esse modelo atualizam e aumentam os conteúdos do app regularmente, lançando coisas novas em que o usuário possa aproveitar na assinatura. Não têm propagandas.
  • Apps freemium: são grátis, mas vendem itens dentro dos aplicativos. Podem ser pacotes de jogos, vidas, livros, efeitos, treinos, etc. Podem ter propagandas.
  • Apps de grandes marcas: muitas marcas disponibilizam seus aplicativos e seus conteúdos de forma 100% gratuita. Quando isso acontece, o aplicativo é, por si só, a publicidade da marca, e por isso não faz sentido esse tipo de app ter propagandas de outras marcas. 
  • Apps 100% grátis: aplicativos que disponibilizam todo o conteúdo de forma gratuita. A monetização acontece através de anúncios dentro do app. Ou seja: tem propagandas a cada fase, vídeo, tantos minutos, etc. É comum que o usuário consiga “pular” o anúncio depois de alguns segundos assistindo a propaganda. 

Lembre-se: nada é de graça na internet. Você pode não ter tirado a carteira do bolso para usar algum app, mas você paga de alguma forma. 

Por que apps grátis não são recomendados para crianças

Os aplicativos infantis gratuitos monetizam através de propagandas. Ainda que os próprios aplicativos conseguem banir alguns tipos de propagandas, erros acontecem. Já vimos anúncios de bebidas alcoólicas em apps infantis que sabíamos que faziam esse controle, por exemplo. 

Crianças só começam a entender o que é uma propaganda por volta dos 8 anos de idade, de acordo com Common Sense Media. Antes disso, elas consomem como se fosse conteúdo normal de entretenimento, ou seja, sem nenhum filtro. 

O anunciantes sabem que quanto mais cedo as crianças aprendem sobre uma marca, maior será a probabilidade de comprar o produto mais tarde (ou de implorar aos pais para comprá-lo). A exposição de crianças às propagandas pode estimular o desejo por estímulos excessivos, uma alimentação nada balanceada e, principalmente, o consumismo.

Aplicativos Freemium

Os aplicativos gratuitos também podem vender itens dentro dos aplicativos. Essa prática é bem comum e pode ser que esse tipo de app tenha ou não anúncios. Eles são chamados de Freemium: uma junção das palavras em inglês free, que significa grátis, e premium, que traz a ideia de qualidade.

Esses apps vendem vidas extras, algum tipo de ajuda para passar de fase, roupas e acessórios para customizar personagens, presentes para dar para outros jogadores, e por aí vai. 

O problema é como essa “venda” é feita. Em muitos apps não fica claro que a compra é de verdade, com dinheiro real, cobrado direto no cartão de crédito dos pais. É comum crianças acharem que é “de brincadeira” e que faz parte do jogo, e compram vários itens, porque a maioria deles não usa nenhum tipo de controle parental, senha, ou bloqueio para que a criança precise dos pais. Neste vídeo, é fácil perceber que uma criança que ainda não é totalmente alfabetizada consegue fazer compras dentro do app sem saber o que isso realmente significa.

Uma outra prática comum neste tipo de aplicativo são as “fases impossíveis”, em que os jogadores que já estão engajados não conseguem nunca passar de fase. Isso acontece de propósito e é “colocado”. E a única forma de passar de fase é comprar itens que ajudam. Essa compra também pode acontecer através de ads, por exemplo: “Assista ao anúncio e ganhe um power up”. 

Loot Box

As loot boxes são um dos itens vendidos dentro desses aplicativos. As loot boxes são caixas surpresas com itens que podem ser usados no jogo. Quando você compra ou ganha uma, não se sabe o que vem dentro. Ou seja: muitas crianças compram as loot boxes na esperança de vir um item raro, mas as chances são mínimas e, na grande maioria das vezes, vem um item comum e mais barato do que a própria loot box.

Essa mecânica é igual às usadas nas máquinas de caça-níqueis em cassinos: elas viciam e estão em jogos populares entre as crianças. 

Mesmo que muitos aplicativos freemium não tenham propagandas, eles foram desenhados para que o jogador fique o maior tempo possível dentro do app. Ou seja, o conteúdo que ele entrega é viciante. Assim, ainda que não tenham mais vidas, ou que o jogador não consiga passar de fase, ele usa mecânicas e artifícios que induzem o usuário a comprar pacotes de vida, ajudas ou até mesmo a assistir um anúncio em troca de uma vida. 

Utilização de dados

E se você não identifica nenhuma das opções acima no aplicativo gratuito que seu filho usa, é porque ele recolhe dados. Todos os aplicativos pegam dados dos seus usuários, não se engane. Há duas utilidades dos dados recolhidos em aplicativos: melhorias dentro do próprio app e para melhorar a usabilidade, e utilizar esses dados para marketing. A segunda opção é o que praticamente todos os apps gratuitos fazem com os dados dos usuários. 

Mas o que são esses dados?

Os dados que os aplicativos pegam são quanto tempo você fica no app, onde você clica, quanto tempo fica em cada fase, quais conteúdos do aplicativo que você consome, quais os horários que você usa. Se houver propaganda dentro do aplicativo, também é possível saber quais os tipos de propaganda que você assiste tudo, quais você pula, quanto você fica em cada propaganda, etc. São tantos dados que é difícil de listar todas as possibilidades. 

Depois que toda essa informação é recolhida, algoritmos conseguem fazer um perfil seu: suas preferências, o que você gosta de ver, os horários que você usa o celular, que você faz suas refeições, que você estuda ou trabalha,quando você vai dormir, se você gosta de futebol, quais filmes e séries você assiste na TV, etc.

E tudo isso é vendido para que outras empresas utilizem você como consumidor. O seu perfil é vendido para que empresas mostrem propagandas para você, porque seus interesses combinam com o ´produto vendido.

Isso pode ser bem problemático porque a maioria das pessoas não sabe onde ou para quê seus dados estão sendo usados. Mas o ponto é: crianças não fazem ideia o que isso significa. E por esse motivo, apps infantis são proibidos de utilizar dados de crianças menores de 13 anos.

Na prática

Para burlar esse sistema, muitos apps não se posicionam como infantis para que possam utilizar esses dados, mesmo que saibam que seu público é majoritariamente infantil. Eles “lavam as mãos” e dizem que não é indicado para menores de 13 anos, ainda que toda a linguagem, estética e temática do aplicativo é voltado para crianças. 

Essas empresas usam esses dados para vender propagandas. O que acontece com a criança é que ela é bombardeada de anúncios para ela, baseado nos seus gostos, idade, gênero, preferências de brinquedos, cores, hora de dormir, atividades extra-curriculares, etc. E sabemos que crianças não recebem esses anúncios como adultos, é um conteúdo muito mais violento e perigoso para elas. Além de que praticamente não há nenhum órgão que regule essas propagandas, principalmente aqui no Brasil.

Por que pagar por um aplicativo para meus filhos?

Muitos apps infantis estão mudando a sua estratégia de monetização, onde o usuário precisa fazer a compra do app. Existe dois modelos mais usados hoje em dia: o que você paga pelo app e o que você paga pela assinatura. O que você paga pelo aplicativo unitário,a compra é feita ao baixar o aplicativo na loja de apps. Geralmente você só paga uma única vez e todos os conteúdos estão disponíveis, mas não há novos conteúdos, apenas atualizações para resolver possíveis bugs. 

Quando o app é assinatura, você faz o download do app de graça e é só dentro do aplicativo que você vai fazer a compra dos conteúdos. Você precisa assinar um dos planos oferecidos para ter acesso. Os planos podem ser  mensais onde você paga todo o mês; semestrais, onde você paga a cada seis meses; ou anuais, onde você paga pelo ano inteiro. A compra é feita depois de senhas, controles parentais e telas “de adulto” que não chamam atenção das crianças, ou seja, é muito difícil que a criança compra uma assinatura sem querer.

Aplicativos de assinatura geralmente oferecem um período de teste para que a criança experimente o app e os pais possam decidir se vale a pena fazer o investimento. Como é um investimento mês a mês, apps de assinatura geralmente oferecem novos conteúdos e sempre estão atualizando as novidades dentro do aplicativo. 

Outros benefícios

Esses dois modelos não têm propagandas, ou seja, os dados das crianças não são comercializados. Isso quer dizer que esses aplicativos não pegam os dados dos meus filhos? Não, não quer dizer isso. Esses aplicativos pegam alguns dados que quem usa o app sim, mas esses dados não são vendidos para marketing para que mais propagandas “assertivas” apareçam para o seu filho.

Os apps pagos usam os dados dos usuários para melhorar a experiência dentro do app. Por exemplo: é através desses dados que os desenvolvedores do app identificam um bug, ou quando o botão importante não está comunicando o necessário porque não está sendo usado. Como esses aplicativos não contém anúncios, esses dados não saem dos aplicativos.

Guia Among Us: o que os pais de criança precisam saber sobre o jogo

Provavelmente pelo menos alguma vez durante os últimos meses você já deve ter se deparado com esse nome através de seus filhos, crianças ou amigos, mesmo que não tenha jogado ainda. Recentemente, a consultoria de mercado Sensor Tower publicou um levantamento que revelou que o jogo Among Us foi o mais baixado do mundo no mês de setembro, tanto em Android quanto iOS. 

Existem algumas explicações que podem esclarecer todo esse êxito. A pandemia do Covid-19 teve como uma das consequências o isolamento social em diversos países do mundo. 

Jogos online, nesse sentido, passaram a ser uma opção de entretenimento viável, já que sair de casa para encontrar familiares ou amigos não era o indicado pelos órgãos de saúde.

Mas não é só o uso frequente da internet e o isolamento social que colocaram o Among Us na posição em que o jogo se encontra hoje. São as suas funcionalidades, narrativa e possibilidades que também são atrativas, tanto para jogadores adultos quanto para as crianças. É por isso que vamos explicar um pouco mais sobre o jogo e suas funções. 

O que é o Among Us?

Among Us é um jogo que foi criado em 2018 pelo InnerSloth, um estúdio de jogos dos Estados Unidos. No seu lançamento, apenas a versão para celular foi disponibilizada (Android e iOS) e no final do mesmo ano a versão para PC foi desenvolvida pelos seus criadores. 

Qual é o objetivo do jogo? 

O objetivo do jogo é considerado simples e não é o primeiro a utilizar as premissas que se propõe. O Among Us é um jogo multiplayer, ou seja, você joga obrigatoriamente com outras pessoas, não existe a possibilidade de jogar sozinho. Os jogadores se reúnem em grupos para começar a partida, e em um grupo é necessário que tenham no mínimo 4 e no máximo 10 participantes.

Assim que abre o aplicativo, o jogador tem algumas opções: ele pode criar a sua própria sala e chamar amigos ou familiares para jogar, ou entrar em salas que já foram criadas antes.

Host: se o jogador quiser hospedar uma partida;

Pública: se ele quer jogar em qualquer sala pública; 

Privada: é necessário digitar um código fornecido pelo Host para acessar a partida. 

A partida acontece dentro de uma nave no espaço, onde existe um grupo de tripulantes que tenta sobreviver no espaço. No meio desse grupo há um “impostor”, que tem como objetivo eliminar os outros participantes. O impostor é escolhido de forma aleatória e, dependendo da configuração da partida, um jogo pode ter mais de um impostor.  

Há um custo para jogar Among Us?

Para jogar no celular é gratuito, basta baixar no smartphone. Já a versão Steam (para computador) custa R$ 10,89.

É possível também comprar “skins”, que é a aparência dos personagens. Os preços variam bastante e essa compra pode ser feita na loja que fica dentro do jogo. 

Devemos mencionar também que depois que acabam as partidas na versão gratuita anúncios aparecem na tela do usuário. Já na versão paga não existem anúncios.  

A interpretação de papéis: quem é quem no Among Us?

No Among Us existem dois grupos de personagens: os tripulantes e o impostor (ou os impostores). Cada personagem vai desempenhar uma função específica no jogo.

Impostor: o impostor deve matar os outros tripulantes da nave. Além disso, ele pode interferir em alguns locais da nave e, é claro, ele deve fugir das acusações de que é um impostor. 

Tripulante: o tripulante deve permanecer vivo até a partida terminar. Ele também deve cumprir algumas tarefas e pode acusar aquele ou aqueles participantes que acredita ser impostor

O papel desempenhado por cada personagem é secreto, apenas o próprio jogador sabe quem ele é no início do jogo. 

Assim que o impostor matar algum dos tripulantes, outro tripulante vai acabar encontrando o corpo. Depois disso, ele deve informar aos demais jogadores e dessa maneira começa uma reunião, que é feita através de um chat, localizado no canto superior direito da tela. 

Esse momento é onde os tripulantes irão acusar quem eles acreditam ser o impostor. Depois, cada um pode votar naquele personagem que ele acha que é o culpado. É possível também pular a votação. 

O que acontece depois da votação? 

Quando um jogador recebe a maioria dos votos, ele é expulso do jogo. Caso seja um tripulante, ele vai se tornar um fantasma. Se o jogador expulso for mesmo o impostor, os tripulantes serão os ganhadores da partida

Há também outra maneira de vencer o jogo. Os tripulantes, caso cumpram todas as suas missões antes da maioria ter morrido, vencem o jogo.

Quais os elementos que merecem a atenção dos pais?

Classificação indicativa:

O jogo Among Us não é um jogo infantil e não foi criado para atingir especificamente esse público. A classificação indicativa recomendada na App Store é para crianças acima dos 9 anos de idade, na Google Play é para maiores de 12 anos e no Steam (plataforma onde o jogo é baixado para a versão PC) a classificação indicativa é Livre.

Palavrões no chat:

Dentro do jogo, nas configurações, existe a opção: “censurar bate-papo”. Quando ela estiver ativa, os palavrões que aparecerem no chat serão censurados. Essa opção já vem habilitada logo após o jogo ser baixado, mas pode ser desabilitada a qualquer momento.

Convites para chamada de voz ou vídeo:

Muitos jogadores preferem jogar Among Us enquanto estão conectados a uma plataforma de vídeo ou voz, para que possam conversar ao invés de digitar no chat do jogo.

Em salas públicas é comum que sejam enviados convites para participar de chats fora do jogo. É comum também que se envie números de WhatsApp e perfis nas redes sociais e, quanto a isso, não existe um filtro e nem censura.

Nomes de usuários com conteúdo impróprio:

O jogador deve escolher um nome depois de baixar o jogo para começar a partida. Muitos jogadores adotam nomes impróprios de cunho sexual ou palavrões.

Outras posturas inapropriadas durante o jogo:

Quando um jogador entra em uma sala pública, muitas vezes o dono dessa sala acaba banindo jogadores, sem motivo aparente.

Há também jogadores que usam hacks, ou seja, é inserido ao jogo um menu alternativo ao menu “oficial” que oferece diversas opções, como o jogador ser sempre o impostor, a liberação de acessórios e outras funções. 

Como a experiência do jogo pode ser mais divertida e segura?

A dinâmica criada pelo jogo atrai também os adultos e pode ser uma experiência divertida se os pais jogarem com filhos, por exemplo, ou outros parentes próximos.

A versão para PC torna-se uma opção mais segura, pois tem a funcionalidade de banir jogadores que tiverem condutas impróprias. A criação de uma sala privada, mesmo no aplicativo gratuito, também é uma boa alternativa, já que só entra nela quem sabe o código da partida.

Nesse caso, a orientação também é uma ótima aliada. É fundamental conversar com as crianças sobre os riscos de se oferecer informações particulares para quem não conhecem, ou participar de chats aos quais elas não sabem quem está participando.

Na última semana, a partir da quinta-feira passada, diversos jogadores relataram que a plataforma do jogo foi alvo de ataques de spam. 

Foram enviadas ao chat do jogo mensagens convidando jogadores a se inscreverem em canais do Youtube e Discord e também ameaças para aqueles que não o fizessem. Conteúdos relacionados a reeleição de Donald Trump dos EUA também foram enviados pelos hackers. 

Os desenvolvedores do jogo liberaram uma atualização que acabou não resolvendo o problema e, por isso, indicaram que salas privadas seriam a opção mais segura no momento. 

Esse ataque expressivo levantou discussões nas redes sociais sobre a segurança do jogo e a proteção dos dados dos seus jogadores.

Débora Nazário

Nota do editor

Among Us está bem popular e proibir que as crianças joguem o “joguinho do momento” vai causar bastante frustração. No artigo, entendemos como o jogo funciona, a idade recomendada, vimos os principais perigos para crianças e algumas soluções. 

Por isso, nossa indicação é: seus filhos querem jogar? Jogue com eles, esteja junto para cuidar e, se você ver algo que não se encaixa com o que você quer expor seus filhos, aí vocês acabam a brincadeira. É importante conversar com as crianças para que elas entendam o motivo pelo qual você faz isso. 

PS: o jogo contém ilustrações e gráficos com sangue e morte dos personagens.

:: Veja também: Guia ROBLOX completo para pais e mães ::

O que é padrão de pensamentos negativos e como isso pode afetar seus filhos

Problemas de saúde mental durante a infância são mais comuns do que imaginamos. Cerca de 6% a 17% das crianças e adolescentes são afetados por transtorno de ansiedade ou depressão. Estudos identificaram que muitas crianças e adolescentes com transtorno de ansiedade apresentavam distorções cognitivas, que são caracterizadas por padrões de pensamentos negativos, ou seja: quando a repetição e conteúdo depreciativo e negativo impactam negativamente nos pensamentos, emoções e comportamento, afetando seu bem-estar, na forma como enxerga o mundo e no funcionamento adaptativo. 

De acordo com o artigo Cognitive errors and anxiety in school aged children, as distorções cognitivas são o resultado do padrão de pensamentos negativos. Quando essa negatividade na forma de pensar se torna um padrão já na infância, elas orientam como as informações e os eventos são interpretados ao longo da vida da pessoa. 

O que são os padrões de pensamentos negativos

Pensamentos negativos são comuns e todo mundo tem, crianças ou adultos. Mas é preciso ter cuidado para que isso não se torne recorrente a ponto de virar algo comum e se transformar em padrões, ainda mais durante a infância.

Se você perceber que seu filho tem muitas distorções cognitivas – se seus pensamentos são rígidos, suas expectativas são negativas de forma crônica, ou seus sentimentos são muito fortes para que consigam refletir sobre seus padrões de pensamento, é hora de procurar ajuda de especialistas. Uma criança que esteja sofrendo por causa disso, de forma que sua rotina, comportamento e forma de ver o mundo são afetados, precisa de acompanhamento de um profissional.

É possível reconhecer e identificar alguns dos padrões de pensamentos negativos:

1) Pensamento de tudo ou nada (também conhecido como oito-oitenta) ou pensamento dicotômico.

O que é: Ver as coisas de apenas duas maneiras, categorias ou possibilidades, fazendo pensar que são boas ou ruim, branco ou preto, sem os tons de cinza. Uma distorção comum que faz você pensar – e então sentir – que se alguma coisa não é tudo o que você quer, então não é nada do que você quer. Também é pensar que você precisa performar muito bem em tudo – perfeccionismo – ou você falhou totalmente. 

Na prática: Eu não passei na minha primeira opção de universidade, então minhas esperanças são totalmente frustradas. Ou se eu não tirar 10 na prova, eu falhei completamente.

2) Raciocínio Emocional

O que é: Acreditar que, porque você sente algo, deve ser verdade, mesmo quando não há outra evidência além do sentimento.

Na prática: Me sinto sozinho, então ninguém gosta de mim. Ou tenho medo de elevador, e por isso os elevadores são perigosos.

3) Super generalização

O que é: Falar sobre um detalhe ou evento negativo sobre uma situação e torná-lo um padrão universal que é verdade sobre toda a sua vida. 

Na prática: Tal pessoa não quer sair comigo. Ninguém nunca quer sair comigo! Ou eu estraguei o meu experimento de química hoje. Eu nunca faço nada certo!

4) Rotulação

O que é: COlocar um rótulo negativo em si mesmo – ou nos outros – para que você não veja mais a pessoa por trás do rótulo. Quando você fecha a pessoa num pensamento assim, seu entendimento se torna tão rígido que não há mais espaço para você ver a si mesmo ou a outra pessoa de maneira diferente. 

Na prática: Eu caí hoje no futebol, tentando marcar um gol. Eu sou muito desastrado! Ou eu não tinha nada a dizer nessa conversa. Eu sou muito desinteressante!

5) Vidente/Modo adivinho

O que é: Prever que algo vai acontecer de uma forma negativa. Isso pode se tornar numa forma pessimista de ver o futuro e pode impactar no comportamento, aumentando a probabilidade da sua previsão negativa acontecer.

Na prática: Eu sei que vou muito mal nessa prova (e então você fica nervoso e sua performance cai). Ou Se eu falar com essa pessoa, ela não vai falar comigo ou me aceitar (e então eu não falo com ela e tenho a chance de me conectar com alguém que eu quero para conhecer melhor ou me ajudar). 

6) Leitor de mentes

O que é: Assumir que você sabe e entende o que outras pessoas estão pensando e, geralmente, ter certeza de que isso reflete mal em você.

Na prática: Eu estou falando com outra pessoa, e ela parece não estar prestando atenção. Tenho certeza de que ela não gosta de mim. (E na verdade você não sabe o que a pessoa está pensando: ela pode só estar distraída, ou estar preocupada com outra coisa não relacionada com você e está com dificuldade em se concentrar, por exemplo).

7) Catastrofização ou magnificação

O que é: Pegar um problema ou algo negativo e colocar fora de proporção.

Na prática: Essa festa vai ser a pior experiência de todas!

8) Minimizar ou Descontar o positivo

O que é: Tomar algo positivo que aconteceu e minimizar para que “não conte” como uma coisa boa na experiência ou na sua vida. Desconta qualquer evidência contra a nossa visão negativa de nós mesmos ou de uma situação. 

Na prática: Eu fui bem no teste, mas foi pura sorte. Ou uma pessoa falou “eu amo sair com você!”, mas ela só está sendo simpática, ela não quis dizer isso. 

9) Filtro mental ou Abstração Seletiva

O que é: Ver apenas o negativo ao invés de olhar para o positivo ou para todo o aspecto da experiência. 

Na prática: Você escreve um artigo para o professor e ele te dá vários feedbacks positivos, mas você escreveu o nome de alguém errado. Tudo o que você consegue pensar é no nome errado. Ou você tem várias conversas positivas no dia, e numa delas você falou algo constrangedor. Você só foca na coisa constrangedora que você falou com total horror, esquecendo todas as outras interações legais que teve. 

10) Personalização

O que é: Fazer com que tudo seja sobre você quando não é. Isso inclui culpar você mesmo por algo além do seu controle e levar coisas para o pessoal quando não pretendem ser prejudiciais para você.

Na prática: Se eu não desse tanto trabalho para meus pais, talvez eles não estariam se divorciando. Ou como aquela pessoa ousa andar na minha frente, isso é tão desrespeitoso! (Quando a pessoa só não viu você e te cortar foi apenas uma distração)

11)  Imperativos

O que é: Pensar em “dever” e “ter que” (e o inverso, “não dever” e “não ter que”).

Na prática: Eu deveria fazer apresentar os trabalhos na aula sem me sentir ansioso. O que há de errado comigo? (Claro, pensando assim, no auge do nervosismo, te deixa ainda mais nervoso em relação a apresentação!)

:: Leia também: Meu filho é tímido e introvertido. E agora? ::

Como os pais podem ajudar as crianças

Fazer terapia pode ajudar! A terapia cognitivo-comportamental ajuda a identificar, desafiar e reestruturar esses pensamentos. 

Para ações além da terapia, é importante começar observando você mesmo, identificando e reconhecendo os seus padrões pensamentos negativos. Por exemplo, se seu filho tem ansiedade, você pode acabar personalizando isso, se culpabilizando e se rotulado como um “péssimo pai/mãe”. Sempre lembrando de que é uma distorção cognitiva, que é reversível e sem tantos julgamentos, tanto em relação a si mesmo quanto (e principalmente) em relação à criança. 

Para ajudar as crianças a aprenderem sobre as distorções cognitivas, você pode explicar com cartões divertidos ou um jogo de perguntas e respostas. É importante manter esse trabalho de equipe de forma leve e sem cobrar tanto, e tomar cuidado para não invalidar as crianças e dizer o que elas estão sentindo – mesmo que sem querer – ou dizer que esses pensamentos negativos são “errados” ou “ilógicos”. Mesmo que sejam, não podemos assumir que as crianças estão prontas para lidar e ver dessa forma. Cada pessoa tem seu tempo, inclusive e principalmente as crianças. 

Lembrando que se você perceber que seu filho está com pensamentos muito rígidos, cobra muito de si mesmo e suas expectativas são quase sempre negativas, procure um pediatra, terapeuta, psicólogo ou psiquiatra.

Referências:

Child Mind Institute

Freitas Pereira, Barros, Mendonça “Cognitive errors and anxiety in school aged children”

Por que a leitura é tão importante?

A leitura é uma forma de comunicação e a taxa de alfabetização é um dos medidores de desenvolvimento dos países do mundo inteiro.  Mas se tratando de saúde e desenvolvimento infantil, por que é tão importante?

A leitura é uma habilidade exclusiva do ser humano, e há um espaço no cérebro exclusivo para ela e para o seu desenvolvimento.

A leitura estimula o crescimento de matéria branca no cérebro. A matéria branca é um conjunto de fibras nervosas no cérebro que o ajudam a aprender e funcionar de modo geral. Ler não só aumenta matéria branca, mas também ajuda a informação ser processada de forma mais eficaz.

A grosso modo, existem três tipos de inteligência: cristalizada, a fluida e a emocional. 

  • A  inteligência cristalizada é a mistura de sabedoria que compõe o nosso cérebro. São informações e conhecimentos potencialmente úteis que, em conjunto, formam a base da capacidade de navegar e prosperar no mundo. 
  • A inteligência fluida é a habilidade de resolver problemas, entender as coisas e identificar padrões. 
  • E a inteligência emocional é a capacidade de ler e responder os sentimentos, seus e dos outros. 

A leitura desenvolve e apura esses três tipos de inteligência. 

Se somarmos a leitura à outros idiomas, os benefícios vão além. Além de desenvolver as habilidades de comunicação, ler em outra língua aumenta as regiões do cérebro envolvidas na navegação espacial e no aprendizado.

:: Leia também: Atividade física, brincadeiras e muita diversão: saúde para as nossas crianças! :: 

Atividade física, brincadeiras e muita diversão: Saúde para nossas crianças!

Carol é Fisioterapeuta, mãe do Pedro de 6 anos e da Clara de 2 anos. Está passando pela quarentena com a sua família, sem poder sair do apartamento (literalmente!) porque seu prédio está interditado pela defesa Civil e têm usado bastante da criatividade para fazer as crianças praticarem atividade física.

Os benefícios

As crianças são uma fonte de energia e vida! É da natureza delas estar em movimento e criatividade. Estimular e apoiar essa natureza pode ser um grande incentivo a promoção e desenvolvimento da saúde nas crianças e adolescentes. 

A prática de atividade física na infância e na adolescência auxilia no equilíbrio do balanço energético e na prevenção da obesidade, melhora a circulação sanguínea e oxigenação do corpo e do cérebro, auxilia na melhora do metabolismo, no reforço do sistema imunológico, na melhora da cognição, autoestima e sentimento de bem estar. 

A atividade física desenvolve a força muscular, flexibilidade e resistência, aperfeiçoa a coordenação motora, estimula o metabolismo ósseo, aumenta a capacidade respiratória e cardíaca, melhora o humor, efeitos estes a curto e longo prazo. 

Ser fisicamente ativo todos os dias é importante para a promoção da saúde integral das crianças e dos adolescentes, e é fundamental que as atividades sejam prazerosas e adequadas ao estado individual de crescimento de cada criança e cada adolescente. 

O que e como pode ser feito?

Para a Sociedade Brasileira de Pediatria, a atividade física pode ser estimulada na vida da criança a partir do seu primeiro ano de vida. Rolar, engatinhar, andar, correr, pular e outros exercícios trazem inúmeros benefícios para a saúde. 

Em tempos de avanços tecnológicos e grande disponibilidade de jogos virtuais, tablets e videogame, a prática da atividade física pode ficar um pouco mais esquecida. As crianças geralmente se espelham e se inspiram nas ações e hábitos de vida dos seus pais ou dos adultos que as cercam e, por isso, precisamos estar atentos ao que queremos passar para nossas crianças e nossos adolescentes. 

Seguir uma rotina saudável com incentivo a bons hábitos alimentares, meditação e exercícios em casa para que os pequenos se mantenham ativos é muito importante para um crescimento e desenvolvimento saudável. 

Mas o que fazer, e como fazer, quando se tem uma jornada de trabalho cansativa, tempo contadinho e mil coisas para resolver? E mais ainda: quando se está de quarentena, sem poder sair de casa, com duas crianças pequenas, em um apartamento? 

Tá tudo bem pai e mãe, estamos juntos! Tem dias que parecemos uma família de atletas, mas tem dias que tudo vira uma bagunça! Relaxa, um dia de cada vez até que vire uma rotina gostosa!

Vou compartilhar aqui com vocês algumas coisas que estamos vivendo e que na minha experiência está funcionando! 

Podemos, dentro de casa, criar um ambiente favorável e atrativo para a prática de atividade física com as crianças. Vale tudo! Vale brincadeira, dança, jogos, festa, música – o importante é deixá-los livres e à vontade diante da atividade. 

Determinar um horário do dia para realizar a atividade física é bem interessante e funciona. Por exemplo, às 10 horas da manhã nos reunimos na sala e fizemos a chamada para a hora do exercício. Colocamos uma música legal, que as crianças gostam, e observamos como elas reagem. E então propomos a eles a nossa série de exercícios, e os realizamos. 

Esses exercícios geralmente duram de 10 a 15 minutos, e envolvem polichinelo, agachamento e flexão. As crianças geralmente reproduzem estes exercícios e aos poucos entram no clima! A partir daí, nós deixamos a imaginação e a criatividade fluir! Às vezes vira uma bagunça, outras vezes conseguimos fazer e criar exercícios super legais! 

É importante darmos a direção para eles ao mesmo tempo que estamos atentos ao fluxo, ao que as crianças querem nos dizer e mostrar! Muitas vezes eles tem idéias e invenções mais legais e divertidas do que a brincadeira que queremos propor para eles! 

Vou citar aqui algumas atividades que nós e as crianças desfrutamos juntos e que podem ser super legais para vocês também! 

  • Atividades que envolvam habilidades motoras como correr, dançar, rolar, pular podem ser super divertidas e dinâmicas. Elas estimulam a criatividade, atenção e motricidade global e focal, lateralidade, desenvolvimento espacial e corporal! 
  • Criar circuitos, com bambolê, almofadas, garrafas pet vazias, ou utilizando os próprios brinquedos como obstáculos e barreiras para atravessar podem ser muito divertidos! Deixe a criança criar e ajudar na construção! 
  • Atividades de acertar no alvo, por exemplo acertar tampinhas de garrafa, bolinhas de plástico ou de papel dentro de copos plásticos (ou outros recipientes); usar garrafinhas plásticas em pé como alvo e, para acertar dentro delas, podemos usar argolas ou o miolo do rolo de fita adesiva; 
  • Corrida de saco usando fronhas de travesseiro e almofadas. 
  • Salto em distância no colchão, marcando com fita adesiva o salto de cada um para estimular habilidades motoras do movimento, força e flexibilidade; 
  • Brincadeiras de mímicas com temas, por exemplo, de animais ou de personagens. Estimula a linguagem e consciência corporal; 
  • Brincadeiras de corrida de revezamento, onde se passa e recebe bolinhas ou bastões; 
  • Arremesso de bola no cesto ou balde para estimular a concentração e coordenação motora; 
  • Futebol de bola de papelão, 
  • Brincadeiras de quem junta os brinquedos mais rápido depois do apito ou de quem acha mais bolinhas da cor verde, por exemplo em um determinado tempo; 
  • O mestre mandou: correr, pular em um pé só, bater palmas, levar a mão no pé, sentar e levantar… 

São muitas brincadeiras que podemos criar em forma de exercício! Se abrirmos um espacinho na nossa rotina para a atividade física e junto trouxermos nossos filhos, o que é para ser um importante benefício a nossa saúde vira também um momento de muito amor, alegria e união!

Compartilhem com a gente no instagram as atividades que vocês fazem em casa! É só marcar @truthandtales.app

Mindfulness: uma saída para o stress das redes sociais

É difícil de imaginar uma vida sem redes sociais. Nos conectarmos com nossos amigos, saber o que está acontecendo pelo mundo em tempo real e, claro, se entreter, se tornou essencial. Nós mal lembramos (se formos velhos o suficiente para isso) como nós mantemos contato se não for desta forma. Mas o número de adolescentes e jovens adultos que acham que as redes sociais podem ser uma fonte de stress só aumenta, e o mindfulness pode ser uma solução para esse problema.

(Tradução do artigo Managing Social Media Stress With Mindfulness de Rachel Ehmke publicado no Child Mind Institute)

O que nós ouvimos muito, especialmente de adolescentes, é que eles ficam vendo perfis de outras pessoas e, consciente ou inconscientemente, constantemente se comparando com elas. As pessoas tendem a postar seus pontos positivos — o cabelo perfeito, os amigos perfeitos, a selfie perfeita antes de malhar — além de muitos acharem divertido ficar rolando o feed dos outros.

Isso pode, porém, machucar a auto-estima quando sua vida não está tão perfeita quanto a de outras pessoas parece estar. Isso pode fazer com que você comece a super analisar a sua performance no seu próprio perfil nas redes sociais, contar quantos likes você recebeu no último post e se esforçar para parecer perfeito sem esforço, independente de como você está se sentindo.

O que é FoMO- Fear of Missing Out

Ao mesmo tempo, as crianças estão falando tanto sobre o “medo de perder alguma coisa” que já tem até acrônimo para isso. Em inglês, o “medo de perder alguma coisa” é Fear of Missing Out, também conhecida como FoMO. Rede social é a melhor e pior amiga do FoMO.

As redes sociais podem ser ótimas porque você consegue se manter conectado com tudo, de todos os lugares que estiver. Mas como sempre tem alguma novidade, você nunca tem a sensação de que viu tudo o que tinha para ver para poder tirar um descanso.

Nota do editor: FoMO é o acrônimo de Fear of Missing Out, que significa “medo de perder alguma coisa”. Foi citado pela primeira vez em 2000 e foi definido como medo que outras pessoas tenham boas experiência que você não tem.

Esse medo incentiva as pessoas a ficarem sempre conectadas para compartilhar o que você faz e sempre saber das novidades e o que está acontecendo.

Basicamente: é a angústia que você sente quando está em casa jogado no sofá rolando o feed e vê que seus amigos, influencers ou qualquer pessoa que você acompanha nas redes sociais estão fazendo coisas incríveis enquanto você não está fazendo…nada.

Permaneça conectado

Quando tudo e todos estão online, às vezes é a prova que, de fato, você está perdendo alguma coisa. Quando você vê seus amigos saindo sem você, é ruim. Ver um/a ex começando um novo relacionamento machuca.

Se utilizar as redes sociais está causando stress, o conselho mais comum é parar de usar. Mas apesar de ser um bom conselho, não é muito realístico, especialmente para adolescentes, que passam muito tempo socializando online.

Esse adolescente socializando é mais importante do que parece. Adolescentes estão tentando achar seu lugar no mundo, e é comum que eles comecem a descobrir suas identidades através de seus relacionamentos.

Não é do interesse deles parar totalmente de usar redes sociais, mas achar um caminho para ter relacionamentos saudáveis e uma auto-estima saudável utilizando redes sociais, pode interessá-los.

Parece bom? Aprenda como praticar o mindfulness.

O que é mindfulness?

Mindfulness, em sua tradução, significa atenção plena, e é a técnica de viver o momento sem julgamentos. Ajuda a ficar mais atento ao que está acontecendo ao seu redor e a como você se sente. Tirar um momento para desacelerar e notar esses detalhes ajuda a regular suas emoções e o nível de stress. Ela também estabelece um nível de reflexão e autoconsciência que as pessoas geralmente não têm quando estão nas redes sociais.

Mindfulness não é somente para dar um passeio no parque ou assistir ao pôr-do-sol. Se for aplicada à própria experiência de redes sociais, diz Jil Emanuele, PhD,psicóloga e especialista em Mindfulness do Child Mind Institute, ela pode ajudar as crianças a gerenciar a emoção gerada por todas essas informações que recebem quando estão online. Para tornar as experiências online (e offline) mais felizes, Dra. Emanuele recomenda as estratégias com mindfulness a seguir:

Mindfulness: Verifique você mesmo

Trabalhe em estar mais consciente sobre você mesmo, e priorize como você se sente e o que você pensa quando usa as redes sociais. “O estereótipo de usar redes sociais é só rolar e rolar e rolar o feed, sem pensar realmente no impacto que isso tem sobre você”, fala Dra. Emanuele.

Dra. Emanuele recomenda perguntar a si mesmo: Como eu estou agora? Como eu me sinto com esse app? Como eu me sinto com essa foto ou imagem? Tente atentar às mudanças de humor e veja se percebe algum padrão.

Está tudo bem se você perceber que as emoções que você tem são negativas. Tente não julgar como você se sente, mas reconheça e sinta a emoção. Reconhecer quando você sente inveja ou triste pode ser poderoso porque ajuda a processar a emoção — sem se deixar levar por ela — e até a eliminar parte do sofrimento.

Mindfull: verificação consciente da realidade

Se você se sente mal por alguma coisa constantemente, praticar mindfulness (ou atenção plena) pode ajudá-lo a identificar isso; depois, se perguntar por que,e se há algo que você possa fazer que ajude a situação. Tirar um tempo para perceber e valorizar como você se sente é uma habilidade importante que o deixará mais feliz e mais confiante em todas as áreas da sua vida, não somente online.

Mindfulness também pode te dar uma verificação da realidade. Por exemplo, é comum que pessoas usem as redes sociais como forma de se animar quando estão desanimadas ou entediadas. Seguindo essa lógica, se você está se sentindo mal consigo mesmo, a tendência é você postar alguma coisa que fiz totalmente o contrário, como uma selfie bonita ou ou foto com seus amigos incríveis porque, às vezes, projetar algo diferente e receber elogios online pode tirar você do pânico.

Em contrapartida, a sensação é passageira e você pode sentir que está enganando todo mundo. Se você perceber que está se sentindo pior do que já estava,saiba que isso não é incomum e procure maneiras mais confiáveis e efetivas de melhorar seu estado.

Use tecnologia

Usar a tecnologia para controlar o uso da própria tecnologia é outra estratégia que Dra. Emanuele recomenda, já que existem apps que são projetados para ajudar a acompanhar a forma como você usa o celular.

“Faça uma experiência para ver quanto tempo você gasta com certas coisas”, diz Dra. Emanuele. “Quando você está nisso, o que você realmente faz? Quais são suas emoções?”

Os aplicativos e diários de humor também te lembram para você reservar um tempo.

Eles também criam um registro de como você esteve se sentindo, onde você pode revisitar depois de acontecido. A coleta de dados sobre como você usa a tecnologia e como ela te afeta pode ajudar a perceber padrões e, se necessário, desenvolver melhores hábitos. Ver os dados pode ser surpreendente já que muitas vezes não tomamos conhecimento de quanto tempo gastamos quando começamos a “rolar” o feed.

Fique offline

A melhor maneira de ter outra perspectiva é dar pausas ocasionais das redes sociais. Comece a fazer ioga, saia para correr, passe um tempo — pessoalmente — com seus amigos, saia para curtir a natureza. Seja lá o que for, fazer coisas na vida real pode ser um grande alívio do stress e faz você se sentir melhor em relação a você mesmo, numa forma que rolar o feed nunca vai fazer.

Tente estar mais consciente em relação a você mesmo durante outras atividades. Percebe como você se sente no momento em que você está ativo, e perceba o que é divertido para você. Você pode se surpreender e é provável que você ache a experiência bastante viciante, também.

Meu filho é tímido e introvertido. E agora?

Traduzimos o artigo For Extroverts: 15 Ways to Be a Better Parent to Your Introverted Kid, de Jennifer Granneman, que traz 15 dicas para você saber lidar com o temperamento tímido e introvertido do seu filho(a) e a criar um relacionamento seguro e saudável com ele(a).

Você está confuso em relação ao seu filho ou filha. Ele ou ela não age da mesma forma que você quando criança. Está hesitante e reservado(a). Ao invés de correr para brincar, prefere ficar de lado a assistir às outras crianças se divertirem.

Seu filho ou filha fala com você pelos cotovelos — às vezes divagando ou contando histórias, mas outras vezes ficava calada, e você não consegue entender o que está passando pela cabeça dela.

Ele(a) passa muito tempo sozinho em seu quarto e a professora diz que gostaria que ele ou ela participasse mais da aula. Sua vida social é limitada a duas pessoas. E o estranho é que seu filho(a) parece estar super ok com tudo isso.

Não é incomum que pais que com comportamentos extrovertidos se preocupem com seus filhos com temperamento tímido e introvertido. Muita gente se pergunta se esse comportamento tímido é emocionalmente saudável.

Crianças podem sofrer de ansiedade e depressão, assim como adultos. Por isso, é importante se informar dos sintomas da depressão na infância: às vezes, o afastamento de família e amigos e falta de energia pode significar algo mais que timidez e introversão.

Em contrapartida, muitas crianças com comportamento introvertido e tímido não têm depressão ou ansiedade.

Como cuidar do seu filho(a) com comportamento introvertido e tímido de forma saudável:

1. Saiba que não tem nada de incomum ou vergonhoso em ter comportamento tímido e introvertido

Pessoas tímidas não são minorias. Os números variam de acordo com o estudo, mas 30% a 50% da população dos Estados Unidos é composto por pessoas introvertidas.

Muitos líderes, artistas e empreendedores de sucesso se consideram introvertidos, como Bill Gates, Emma Watson, Christina Aguilera, J.K. Rohling e Madre Teresa.

2. Entenda que o temperamento tímido do seu filho(a) é natural da criança

Você acha que seu filho pode “superar” o ódio pelas festas de aniversário estridentes? Pense de novo. O cérebro de pessoas introvertidas e extrovertidas têm conexões diferentes, de acordo com a Dra. Marti Olsen Laney, autora do livro The Hidden Gifts of the Introverted Child. Ela escreve que o temperamento das crianças é inato, apesar de os pais terem um papel importante em nutrir esse temperamento.

O cérebro dos introvertidos e extrovertidos usam diferentes vias de neurotransmissores e, de maneira geral, usam diferentes “lados” dos seus sistemas nervosos (introvertidos preferem o lado parassimpático, que é o sistema de “descanso e digestão”, e oposição ao simpático, responsável pelo “lutar, fugir e congelar”).

Além disso, um estudo publicado no Journal of Neuroscience descobriu que os introvertidos têm massa cinzenta maior e mais espessa em seus córtices pré-frontais, que é a área do cérebro associada ao pensamento abstrato e à tomada de decisões.

3. Vá devagar ao apresentar pessoas novas para seu filho(a)

Pessoas com temperamento introvertido podem se sentir sobrecarregados e ansiosos em novos ambientes e em torno de novas pessoas. Se vocês estão em um evento social, não espere que seu filho ou filha se misture com outras crianças e saia se apresentando por aí imediatamente.

Chegar cedo nessas ocasiões ajuda, assim, pode ser que seu filho(a) se sinta mais confortável num ambiente em que ele chegou antes que as outras pessoas. Deixar que a criança fique perto de você também pode ajudar, ou outro lugar onde ela se sinta segura. Observar de longe acalma bastante.

Não importa em que nova experiência a criança esteja se acostumando, lembre-se: vá devagar, mas não deixe de ir. “Não deixe que ele desista de fazer as atividades, mas respeite seus limites, mesmo quando eles parecerem extremos.”, escreve Susan Cain sobre crianças introvertidas.

4. Lembre seu filho(a) que ele(a) pode dar uma pausa na socialização se sentir sobrecarregado ou cansado

Enquanto pessoas com temperamento extrovertido se sentem energizadas socializando, introvertidos podem se sentir drenados de energia.

Se seu filho(a) é mais velho, ele pode pedir licença e dar um tempo num lugar mais calmo, como em outro quarto, no banheiro ou fora do local.

Se a criança é mais nova, talvez não perceba quando está cansada, por isso, observe os sinais de fatiga e ajude-a a identificar e se ausentar nestes momentos.

5. Elogie a criança quando ela se coloca numa situação social que considera de risco

Fale para ela que você admira o que ela fez e que você torce por ela. Pode ser algo como “Ontem eu vi que você falou com aquela criança nova. Sei que foi difícil pra você, mas tenho orgulho do que você fez”.

6. Lembre-a de quando ela acaba gostando de algo que inicialmente tinha medo

Muitas crianças colocam uma visão negativa de algumas situações que ainda não aconteceram por medo. Diga algo como “Você pensou que a festa não seria legal para você, mas acabou fazendo amigos, olha que legal!”. Com um esforço positivo como esse, com o tempo, é mais provável que ela consiga regular o nervosismo e pavor em momentos de socialização.

:: Leia também: Como ajudar as crianças a desenvolverem uma boa auto-estima ::

7. Ajude seu filho(a) a cultivar suas paixões

Seu filho ou filha pode ter interesses intensos e talvez até únicos. Christine Fonseca, autora de Quiet Kids: Help Your Introverted Child Succeed in an Extroverted World, fala para dar oportunidades para que as crianças introvertidas busquem esses interesses.

Futebol e grupo de escoteiros podem funcionar bem para algumas crianças, mas não se esqueça de olhar para caminhos menos tradicionais como aulas de artes, programação, redação ou campos da ciência.

O envolvimento intenso em uma atividade pode trazer felicidade, bem-estar e confiança, e oferece ao seu filho(a) a oportunidade de socializar com outras crianças que têm paixões semelhantes e, talvez, temperamentos semelhantes.

8. Converse com a professora do seu filho(a) sobre sua introversão e timidez

Isso ajuda a professora a lidar melhor com sua filha/o. Muitas professoras e professores assumem erroneamente que crianças com temperamento introvertido não falam muito em sala de aula por falta de atenção ou falta de interesse. Ao contrário, estudantes introvertidos podem ser mais atentos às aulas, mas preferem ouvir e observar do que participar ativamente.

Se a professora souber do temperamento introvertido da criança, ela pode ajudá-la de formas mais sutis e suaves, como na interação com amigos, na participação de trabalhos em grupo ou apresentações em sala de aula.

9. Ensine seu filho(a) a se defender

Ensine a dizer “pare!” ou “não!” em voz alta quando a criança vê necessidade em colocar limite, por exemplo, quando outra criança tentar tirar um brinquedo dele(a).

Se seu filho(a) estiver sofrendo bullying ou estiver sendo tratado de forma injusta na escola, encoraja a falar com um adulto ou com quem está fazendo isso com ele(a). “Comece ensinando à crianças introvertidas que sua voz é importante”, diz Fonseca.

10. Certifique-se de que seu filho(a) seja ouvido

Ouça seu filho e faça perguntas para fazê-lo falar mais. Muitas pessoas com temperamento introvertido — crianças e adultos — lutam para se sentir ouvidos pelos outros.

Os introvertidos “vivem internamente e precisam de alguém que os perceba, os escute e que os entenda”, escreve Dra. Laney em seu livro. “Sem pais ouvem e refletem de volta para eles, como um eco, o que eles estão pensando, eles podem se perder em suas próprias mentes.”

11. Esteja ciente de que seu filho(a) pode não pedir ajuda

Pessoas com temperamentos introvertidos tendem a internalizar os problemas. Seu filho pode não falar com você sobre uma situação difícil com a qual está lidando, embora deseje e/ou precise de ajuda ou alguma orientação de um adulto. Faça perguntas e ouça com atenção — mas não force ou faça perguntas que pareçam um interrogatório.

12. Não coloque a etiqueta de “tímido” no seu filho

“Tímido/a” é uma palavra que carrega uma conotação negativa. Se a criança que tem um temperamento introvertido ouve a palavra “tímida” se referindo a ela muitas vezes, ela pode começar a acreditar que seu desconforto com as pessoas é uma característica fixa, não um sentimento que ela pode aprender a regular.

Além disso, “tímida” foca na inibição que ela experimenta e não ajuda a entender a verdadeira fonte de sua quietude — seu temperamento introvertido.

13. Não se preocupe se seu filho(a) tem apenas um ou dois amigos próximos

Pessoas com temperamento introvertido buscam profundidade nos relacionamentos, não amplitude. Elas preferem um pequeno círculo de amigos e geralmente não estão interessados em ser “populares”.

14. Não leve para o pessoal quando seu filho(a) precisa de um tempo sozinho/a

Qualquer coisa que puxe seu filho para fora do seu mundo interior — como ir à escola, socializar, ou mesmo uma nova rotina — é um esforço, drena suas energias.

Não fique sentido ou pense que seu filho(a) não gosta de estar com a família quando fica sozinho/a em seu quarto (lendo um livro, jogando no computador ou apenas brincando e usando sua imaginação).

Provavelmente, quando a criança se sentir com as energias recarregadas, ela irá querer passar mais tempo com a família.

15. Celebre o temperamento de seu filho(a)

“Não apenas aceite seu filho(a) por quem ele(a) é; valorize-o/a por quem ele(a) é”, diz Caim. “Crianças com temperamento introvertido costumam ser companhias gentis, focadas e muito interessantes, desde que estejam em ambiente que funcionam para elas.”

A ciência comprova: brincar tem benefícios no aprendizado

Brincar faz bem para o corpo, para a alma e também para o cérebro. Neste artigo, trouxemos alguns pontos apoiados pela ciência que mostram que os benefícios de brincar estão em diferentes áreas, e que brincar tem efeitos positivos no cérebro e na habilidade de aprendizado da criança.

Evidências de que brincar promove soluções criativas de problemas

Psicólogos distinguem dois tipos de problemas: convergente e divergente. Um problema convergente tem uma única solução ou resposta. O problema divergente rende-se a várias soluções. Algumas pesquisas sugerem que a forma como as crianças brincam contribui para a capacidade de resolver problemas divergentes.

Em um experimento, pesquisadores apresentaram dois tipos de materiais lúdicos para crianças de idade pré-escolar (Pepler and Ross 1981). Algumas crianças receberam materiais para brincadeiras convergentes (peças de quebra-cabeças), e outras crianças receberam materiais para brincadeiras divergentes (blocos de montar). As crianças tiveram tempo para brincar e então testaram suas habilidades de resolver problemas.

Crianças que receberam brinquedos de materiais divergentes performaram melhor em problemas divergentes e mostraram mais criatividade nas tentativas para resolver os problemas.

Outro estudo experimental sugere uma conexão entre brincadeiras de faz-de-conta e capacidade divergente de solução de problemas (Wyver and Spence 1999). Crianças que brincavam de faz-de-conta mostraram uma maior capacidade de resolver problemas divergentes. O inverso também foi verdadeiro: crianças treinadas para resolver problemas divergentes mostraram taxas maiores nas brincadeiras de faz-de-conta.

Faz-de-conta, auto-regulação e raciocínio sobre diferentes possibilidades

Solucionar problemas divergentes não é a única habilidade cognitiva ligada com o faz-de-conta. Brincadeiras de faz-de-conta também são relacionadas com dois conjuntos de habilidades cruciais: a capacidade de se auto-regular (impulsos, emoções, atenção) e a de raciocinar de maneiras lógicas e contrafactuais (com noções de possibilidade e relação entre o antecedente e o consequente).

Nos primeiros casos, estudos reportaram que crianças que se engajam e brincam de faz-de-conta com mais frequência têm habilidades de auto-regulação mais fortes. Embora sejam necessárias mais pesquisas para determinar se a ligação é casual (Lillard et al 2013), os dados são consistentes com essa possibilidade.

Você não pode brincar de faz-de-conta com outra pessoa a menos que ambos queiram brincar disso. Portanto, quem brinca de faz-de-conta deve concordar com as regras que se estabelecem no momento da brincadeira, e a prática de concordar com essas regras pode ajudar crianças a desenvolverem um melhor auto-regulação em relação ao tempo.

No segundo caso, muitos pesquisadores notaram semelhanças entre o faz-de-conta e o raciocínio contrafactual, ou seja, a capacidade de pensar hipoteticamente e de imaginar o futuro.

Alison Gopnik e seus colegas argumentaram (Walker and Gopnik 2013; Buchsbaum et al 2012) que o raciocínio contrafactual nos ajuda a planejar e aprender, permitindo-nos pensar em vários “e se”.

O brincar de faz-de-conta toca nas mesmas habilidades. Brincar de faz-de-conta oferece às crianças oportunidades valiosas para melhorar seu raciocínio sobre diferentes possibilidades no mundo.

Para apoiar essa ideia, pesquisadores encontraram evidências de uma ligação entre o raciocínio contrafactual e a brincadeira de faz-de-conta em crianças de idade pré-escolar. A correlação permaneceu significativa mesmo após um teste de capacidade das crianças em suprimir seus impulsos. (Buchsbaum et al 2012).

Crianças prestam mais atenção às tarefas escolares quando têm oportunidades mais frequentes de brincar livremente

Muitos estudos experimentais mostram que crianças em idade escolar dão mais atenção às tarefas acadêmicas após um intervalo em que ficam livres para brincar sem a orientação de adultos (Pellegrini e Holmes 2006).

Também existem evidências circunstanciais: as escolas chinesas e japonesas, famosas pelo foco e disciplina, oferecem pequenos intervalos a cada 50 minutos aos estudantes. (Stevenson and Lee 1990)

Nota: aulas de educação física não são substitutos eficazes do tempo livre para brincar (Bjorkland and Pellegrini 2000).

O exercício físico tem importantes benefícios cognitivos por si só, mas aulas de educação física não oferecem os mesmos benefícios que o recreio.

Pesquisadores suspeitam que isso ocorre porque aulas de educação física são muito estruturadas e dependem bastante das regras impostas pelos adultos. Para colher todos os benefícios das brincadeiras, o intervalo para brincar deve ser realmente divertido.

Quanto tempo um intervalo deve ter? Ninguém sabe ao certo, mas existem algumas evidências de recessos entre 10 e 30 minutos. Em estudos com crianças pequenas de 4 e 5 anos, pesquisadores descobriram que intervalos de 10 a 20 minutos aumentavam a atenção em sala de aula. Intervalos com mais de 30 minutos tinham o efeito contrário(Pelligrini and Holmes 2006).

Brincar e explorar desencadeiam a secreção do BDNF, substância essencial para o crescimento das células cerebrais.

De novo: ninguém descobriu uma maneira ética para testar isso em seres humanos, por isso as evidências vêm de ratos. Depois de brincar, ratos mostraram um aumento nos níveis de fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) (Gordon et al 2003).

O BDNF é essencial para o crescimento e manutenção das células do cérebro. Os níveis de BDNF também aumentaram depois que os ratos puderam explorar o ambiente em que estavam(Huber et al 2007).

Linguagem e os benefícios de brincar

Estudos revelam que há uma ligação entre brincadeira de faz-de-conta e o desenvolvimento das habilidades linguísticas (Fisher 1999). O psicólogo Edward Fisher analisou 46 estudos sobre os benefícios cognitivos do brincar.

Ele descobriu que “brincadeiras sociodramáticas”, que são quando crianças brincam de faz-de-conta juntas, “resultam em melhores performances nos domínios cognitivo-linguístico e afetivo social.”

Um estudo com crianças de 1 a 6 anos na Inglaterra mediu a capacidade das crianças com brincadeiras de faz-de-conta. Foi pedido às crianças que realizassem tarefas simbólicas, como substituir um ursinho de pelúcia por um objeto ausente.

Pesquisadores descobriram que crianças obtiveram maior pontuação no teste de brincadeiras simbólicas tinham melhores habilidades de linguagem, tanto na receptiva (o que a criança entende) quanto na linguagem expressiva (as palavras que ela usa). Esses resultados permaneceram significativos mesmo após as crianças crescerem.

Pesquisas recentes também sugerem que brincar com brinquedos de montar contribui para o desenvolvimento da linguagem. Para mais informações, leia este artigo sobre construção de brinquedos e os benefícios de brincar.

Habilidades matemáticas e os benefícios de brincar

Aqui está uma intrigante história sobre brincar e matemática: um estudo mediu a complexidade de crianças de 4 anos que brincam com blocos e acompanhou suas performances escolares até o ensino médio (Wolfgang, Stannard, & Jones, 2001).

Pesquisadores descobriram que a complexidade da brincadeira de montar blocos previa as conquistas em matemática das crianças no ensino médio. Aquelas que usaram os blocos de maneiras mais sofisticadas nas brincadeiras na pré-escola obtiveram melhores notas em matemática e fizeram mais cursos de matemática quando adolescentes.

Esses resultados podem apenas nos dizer que crianças inteligentes na pré-escola continuam inteligentes ao longo da vida escolar, mas não é tão simples.

A associação entre as brincadeiras de blocos e a performance em matemática permaneceu mesmo depois que os pesquisadores mediram e acompanharam o QI de uma criança. Portanto, é plausível que as brincadeiras com blocos influenciam o desenvolvimento cognitivo das crianças.

Experimentos com animais: Brincar melhora a memória e estimula o crescimento do córtex cerebral

Em 1964, Marion Diamond e seus colegas publicaram um artigo interessante sobre crescimento cerebral em ratos. Os neurocientistas conduziram um experimento criando alguns ratos em confinamento solitário e sem estímulos, e outros em colônias divertidas e cheias de brinquedos.

Quando os pesquisadores examinaram o cérebro dos ratos, descobriram que os ratos que viviam em colônias tinham córtices cerebrais mais espessos do que os ratos que viviam em confinamento.(Diamond et al 1964).

Pesquisas subsequentes confirmaram os resultados de que ratos criados em ambientes com estímulos tinham cérebros maiores. E eles também eram mais inteligentes, ou seja, mais capazes de achar a saída em labirintos mais rapidamente (Greenough and Black 1992).

Estes benefícios de brincar se estendem aos humanos? Considerações éticas nos impedem de realizar experiências semelhantes em crianças. Mas parece que o cérebro humano responda ao brincar e à exploração de maneiras semelhantes.

Experiências lúdicas são experiências de aprendizado

Para que ninguém duvide que as crianças aprendem brincando, devemos ter em mente os seguintes pontos:

1) A maioria das brincadeiras envolve exploração, que é, por definição, investigar.

É fácil perceber como isso se aplica a um cientista iniciante que brinca com ímãs, mas também se aplica a atividades “não intelectuais”, como filhotes brincando de “lutinha”.

Os animais testam laços e aprendem a controlar seus impulsos para que uma luta amigável não se transforme em agressão anti-social. Brincar é aprender.

2) Brincar é motivador e divertido

Tudo o que é aprendido brincando é conhecimento adquirido sem a percepção do trabalho duro, de “sem dor não há ganho”. Isso contrasta com as atividades que desempenhamos como deveres.

Quando a atividade é considerada árdua, nossa habilidade de permanecer focado pode parecer um recurso limitado ao longo do tempo (Inzlicht et al 2014).

É difícil de alcançar um fluxo, a experiência psicológica de estar feliz e completamente imerso no que se está fazendo. Brincar é uma alternativa para conseguir esse fluxo.

3) Há evidências empíricas de que crianças tratam as brincadeiras como um tutorial para lidar com os desafios da vida real

Por todo o mundo crianças se envolvem em brincadeiras de faz-de-conta que simulam atividades que precisam dominar quando adultas (Lancy 2008), sugerindo que essas brincadeiras são uma forma de prática. Quando as crianças são munidas com informações durante o faz-de-conta — seja de amigos ou de adultos — elas as aceitam.

Experiências nos Estados Unidos com crianças em idade pré-escolar sugerem que crianças de até 3 anos de idade fazem distinções entre realidade e a fantasia do faz-de-conta, e usam as informações aprendidas no mundo real (Sutherland and Friedman 2012; 2013).

Fonte: https://www.parentingscience.com/benefits-of-play.html?fbclid=IwAR3XPLfFzrKCmRzI_vfAtz1feleXx6pBW9D7-UXCZpqIFuODF_uZ_5gGWpI

A eficácia do dever de casa para crianças pequenas

É raro encontrarmos uma criança que goste de fazer o dever de casa. Sabemos que “Já fez a lição?” é uma frase bem comum entre as famílias, e geralmente vem seguida de um cabo de guerra entre pais e filhos.

Hoje em dia, crianças cada vez mais jovens chegam em casa depois da escola com pilhas de lição de casa. Será que os deveres são mais importantes do que brincar e descansar? Até que ponto que a lição de casa é realmente eficaz e necessária?

Traduzimos uma matéria do site Salon que traz uma pesquisa sobre até onde as lições de casa têm benefícios para estudantes do primário do ensino fundamental.

Reavalie e questione

Não há evidências de que qualquer quantidade de dever de casa melhora na performance acadêmica de estudantes do primário.

Esta citação foi feita por Harris Cooper, que pesquisador da Duke University. Será verdade que as horas de brincadeiras perdidas, lutas pelo poder (conhecidas também como “manhas”) e muitas lágrimas roladas são inúteis? Que milhões de famílias passam por um ritual noturno que não ajuda? O dever de casa é uma prática tão aceita que é difícil para a maioria dos adultos questionar seu valor.

Mas ao olhar com mais cuidados aos fatos, é isso que vai encontrar: dever de casa tem benefícios, mas é intimamente dependente e relacionado com a idade da criança.

O que as pesquisas mostram sobre o dever de casa

Para crianças do ensino primário, pesquisas sugerem que estudar durante as aulas promove resultados de aprendizado mais altos, enquanto trabalhos da escola para fazer em casa são apenas… trabalho extra.

Do 6º ao 9º ano a relação entre sucesso acadêmico e dever de casa é, na melhor das hipóteses, mínimo. Quando as crianças atingem o ensino médio, dever de casa oferece benefícios acadêmicos, mas apenas com moderação. Cerca de duas horas por noite é o limite. Depois dessa quantidade, os benefícios diminuem.

Etta Kralovec, professora de Educação na Universidade do Arizona, concorda: “A pesquisa é muito clara. Não há benefícios quando estão no primário do ensino fundamental.”

Antes de continuar, vamos desmistificar que os resultados da pesquisa são devidos a estudos mal construídos. Na verdade, é o oposto. Cooper compilou 120 estudos em 1989 e outros 60 em 2006.

A análise abrangente que ela fez em cima dos estudos compilados não encontrou evidências acadêmicas de benefícios nas séries primárias do ensino fundamental. No entendo, encontrou um impacto negativo na atitude das crianças em relação à escola.

Qual o impacto?

É isso que preocupa. Dever de casa tem impacto nos estudantes mais novos, mas não é positivo. Uma criança que acabou de entrar na escola merece uma chance de desenvolver o amor pelo aprendizado.

Ao invés disso, dever de casa nos primeiros anos escolares faz com que muitas crianças se voltem contra a escola, contra as futuras lições de casa e o aprendizado acadêmico. E é uma longa jornada. Uma criança no jardim de infância tem que lidar com 13 anos de dever de casa a sua frente.

Também tem os danos nas relações pessoais. Em milhares de lares pelo país, a batalha do dever de casa é diário. Pais incomodam e tentam persuadir os filhos a fazer a tarefa. Crianças cansadas protestam e choram. Ao invés de se conectar e dar suporte uns aos outros no fim do dia, muitas famílias se veem presas no cíclico “Você fez o dever de casa”?

Crianças pequenas e o dever de casa

Quando o dever de casa é dado muito cedo, é difícil para as crianças mais novas terem que lidar com as tarefas de forma independente — elas precisam de um adulto para lembrá-las dos deveres e descobrir como fazê-los.

As crianças criam o hábito de contar com os adultos para ajudá-las a fazer a lição de casa, ou, em muitos casos, para fazer as suas tarefas. Os pais assumem com frequência o papel da “patrulha da lição de casa”.

Ser o chefe irritante é uma tarefa chata que ninguém quer ter, mas isso se mantém até o ensino médio. Além do conflito constante, ter uma patrulha dos deveres em casa desvia de um dos principais propósitos da lição de casa: ter responsabilidade.

Os apoiadores dos deveres de casa defendem que as lições ensinam responsabilidade, reforçam as atividades aprendidas na escola e criam um link escola-casa com os pais.

Contudo, pais que se envolvem na vida escolar dos seus filhos podem ver o que volta na mochila da criança e iniciar o hábito de compartilhar os aprendizados do dia — eles não precisam monitorar a tarefa de casa para saber o que seus filhos tiveram naquele dia na escola.

E a responsabilidade?

Responsabilidade é ensinado diariamente de diferentes formas: é para isso que servem os animais estimação e as tarefas de dentro de casa. É preciso de responsabilidade para uma criança de 6 anos lembrar de trazer seu chapéu e sua lancheira de volta para casa.

É preciso responsabilidade para uma criança de 8 anos se vestir, arrumar sua cama e ir para a escola todos os dias. São tarefas que precisam ser reforçadas e relembradas todos os dias, mas não são os únicos fatores de aprendizado.

Prioridades não-acadêmicas (uma boa noite de sono, o relacionamento familiar e hora de brincar) são vitais para o equilíbrio e bem-estar. Elas também impactam diretamente na memória, foco, comportamento e potencial de aprendizado das crianças.

As lições fundamentais são ensinadas e reforçadas todos os dias em sala de aula. O tempo de depois da escola é precioso para o descanso da criança.

O que funciona mesmo

O que funciona melhor que o dever de casa tradicional, para as crianças do primário, é ler simplesmente em casa: pais lendo em voz alta para as crianças, ou as crianças lendo sozinhas. O segredo é fazer da leitura um momento de prazer. Se a criança não quiser praticar as habilidades de leitura depois de um longo dia na escola, leia para ela.

Qualquer projeto de casa deve ser opcional e ocasional. Se a tarefa não promove mais alegria em relação à escola e interesse em aprender, então não há lugar para a atividade nas salas de aula de crianças do primário.

Dever de casa não tem espaço na vida de uma criança pequena. Sem benefícios acadêmicos, há maneiras melhores de utilizar o tempo nos horários depois da escola.

Equilíbrio com tela na vida das crianças: como encontrá-lo?

Atividades físicas, tempo de tela limitado e uma boa noite de sono diminui comportamentos impulsivos em crianças

O artigo Association between 24-hour movement behaviour and impulsivity in American children, publicado no American Academy of Pediatrics, demonstrou que equilibrar exercícios físicos, tempo de tela limitado e uma boa noite de sono pode diminuir os índices de comportamentos impulsivos em crianças.

Comportamentos impulsivos

Os comportamentos impulsivos em crianças são reflexos de ansiedade. Impaciência; quando a criança interrompe a fala de outras pessoas; quando a criança fala, grita ou ri em momentos inapropriados; ou quando se coloca em situações de perigo sem pensar.

Vale lembrar que esses comportamentos são normais e fazem parte do desenvolvimento de todas as crianças, mas é necessário atentar quando ocorrem com exagero e com muita frequência.

Crianças que têm esses comportamentos impulsivos de forma exagerada costumam ser rotuladas de “crianças-problema” ou “troublemakers” (em inglês) nas escolas ou até mesmo em casa. Se você convive com uma criança que apresenta esses tipos de comportamento, evite utilizar rótulos de qualquer tipo.

Canadian 24-Hour Movement Guidelines for Children and Youth

O estudo é baseado no Canadian 24-Hour Movement Guidelines for Children and Youth, uma iniciativa da Sociedade Canadense de Fisiologia do Exercício que traz diretrizes baseadas em evidências com hábitos que enfatizam a integração de todos os comportamentos de movimento que ocorrem ao longo de um dia inteiro.

As diretrizes incentivam crianças e jovens a “suar, pisar dormir e sentar” (em inglês, “sweat, step, sleep and sit”) nas quantidades indicadas e consideradas benéficas ao longo de 24 horas.

A iniciativa foi desenvolvida pelo Pesquisa sobre Vida Ativa Saudável e Obesidade (Healthy Active Living and Obesity Group – HALO) do Instituto de Pesquisa do Hospital Infantil do Leste de Ontário, Sociedade Canadense de Fisiologia do Exercício (CSEP), ParticipACTION, The Conference Board of Canada, Public Health Agency do Canadá e um grupo de pesquisadores de todo o mundo, com a participação de mais de 700 participantes canadenses e internacionais.

As diretrizes do Canadian 24-Hour Movement Guidelines for Children and Youth sugerem que crianças entre 5 a 17 anos:

  • pratiquem atividades físicas moderadas a altas durante pelo menos uma hora por dia;
  • não ultrapassem duas horas por dia na utilização de telas para fins recreativos;
  • que durmam de 9 a 11 horas corridas por noite.

Como o 24-hour movement Guidelines for Children and Youth interfere nos comportamentos impulsivos das crianças?

Os pesquisadores do HALO analisaram dados de mais de 4.500 crianças. Os dados continham auto-relatos que foram categorizados em 8 competências que caracterizam ou não comportamento impulsivo. Essas competências avaliam padrões como não finalizar tarefas ou agir irracionalmente diante de estados emocionais negativos.

Assista ao vídeo aqui.

O estudo demonstrou que as crianças que seguem as três indicações das diretrizes pontuaram positivamente todas as competências e tiveram pontuações positivas mais altas em 5 das 8 competências em relação às crianças que não seguiram as indicações das diretrizes, concluindo que o equilíbrio da tríade sono, tempo de tela e exercícios físicos pode diminuir distúrbios relacionados à impulsividade.

Além disso, os resultados sugerem que as crianças que seguem as três indicações das diretrizes têm melhores funções cognitivas; menores chances de desenvolver obesidade; melhores dietas alimentares e melhor qualidade de vida em relação às crianças que não seguem nenhuma recomendação.

Tanto a pesquisa em si quanto seus resultados são bem significativos, visto que a quantidade de crianças e de dados coletados é relevante. É difícil encontrarmos pesquisas com amostras e base de dados tão grandes, e os resultados só comprovam o sucesso da pesquisa.