TikTok: o que você precisa saber sobre a rede social popular entre crianças e adolescentes

Você já ouviu falar no TikTok? O app está em quarto lugar dos apps mais baixados do mundo que não são jogos, segundo Sensor Tower. Conhecido anteriormente como Musical.ly, é um app de rede social de compartilhamento de vídeos, principalmente dublagens, danças, remixes e outros conteúdos envolvendo música e edição de vídeos. TikTok é bem popular entre crianças e adolescentes pelo mundo inteiro. Fizemos um artigo baseado na avaliação do Common Sence Media sobre o TikTok e nos depoimentos de alguns pais.

Dublagens engraçadas, coreografias famosas, desafios, ou apenas cantando as músicas da vez: estes são os tipos de vídeos que os usuários do TikTok disponibilizam em seus perfis. Olhando superficialmente, a ideia de criar uma rede social de compartilhamento de vídeos focado em músicas parece boa, onde os usuários podem interagir momentaneamente através de chats e utilizar filtros stickers, e animações em realidade aumentada.

Na Google Play e na App Store do Brasil, TikTok está recomendado para maiores de 12 anos. O site Common Sense avaliou o app e sua recomendação é que só maiores de 16 anos utilizem. Mas por que?

Exposição

O usuário até pode criar uma conta privada, mas o objetivo do TikTok é o oposto de deixar conteúdo no privado. A quantidade de vídeos de crianças e adolescentes dançando, dublando ou cantando no TikTok é bem grande e está disponível para que qualquer pessoa possa acessar. Nos Estados Unidos, usuários menores de 13 anos não podem postar nenhum tipo de conteúdo.

Coleta de dados

Em fevereiro de 2019, a Musical.ly, empresa dona da TikTok, foi multada nos Estados Unidos em US$5,7 milhões por coletar ilegalmente informações pessoais de crianças. Por causa disso, o app criou uma “Plataforma para Crianças” para usuários menores de 13 anos utilizarem o TikTok de forma que que seus dados sejam coletados e que só possam apenas ver os conteúdos, sem publicar. Essa medida vale apenas para os Estados Unidos. No Brasil, menores de 12 anos podem dar o consentimento para a coleta de dados, desde entendam do que o termo se trata.


Nos outros países, crianças a partir de 12 anos que utilizam o TikTok têm seus dados coletados: informações de contato, conteúdo criado, localização, informações técnicas e comportamentais e até informações compartilhadas em outras redes sociais através do TikTok. O app ainda coleta informações contidas nas mensagens enviadas através da plataforma e, se o usuário permitir acesso, coleta informações da lista de contatos do aparelho. Se o usuário fizer login com alguma rede social, o TikTok terá acesso a todos os dados da outra rede social que o usuário utiliza.

Conteúdo inapropriado

Como o TikTok tem a música como carro-chefe, vídeos com palavrões são bem comuns, já que fazem parte da letra das músicas. Conteúdos sexualizados ou utilizando álcool ou drogas são motivos de críticas de muitos pais: adolescentes e até adultos fazendo coreografias sexualizadas ou imitando os videoclipes geram conteúdos de cunho sexual ou com uso explícito de drogas ou álcool, que atinge tanto os adolescentes que postaram o vídeo quanto crianças menores de 12 anos e adolescentes que visualizam o conteúdo no TikTok.

— Veja também: Como configurar seu celular para crianças —

Consumismo

TikTok é uma rede social e, como todas as redes sociais, tem seus influenciadores, pessoas populares que criam conteúdo são seguidos por inúmeros usuários. Esses usuários com grande número de seguidores utilizam produtos “da moda” e influenciam as pessoas que assistem seus vídeos a comprar também. De 5 pontos, o TikTok tem 4 pontos marcados em “Consumismo” no Common Sense Media.

Tempo de uso

Como toda a rede social e forma de entretenimento, os usuários, crianças e adultos, devem tomar cuidado com o tempo que utilizam o app. O TikTok oferece uma ferramenta de limitar o tempo de uso protegido por senha que muda a cada 30 dias, o que fica mais fácil de gerenciar o quanto as crianças ficam no TikTok.

O que eu posso fazer para proteger meus filhos no TikTok?

Uma conversa em família sobre privacidade na internet e nas redes sociais é um bom caminho para começar. Falar sobre quando é adequado compartilhar informações e quais informações manter em privacidade. É recomendável ler as regras, termos de uso e de privacidade do TikTok e Musical.ly para ter certeza de alguns detalhes. Por exemplo, é possível compartilhar um vídeo privado onde só amigos possam assistir?

Antes de baixar o TikTok, conversar em família sobre os conteúdos inadequados para crianças nas músicas, podendo utilizar as mais populares como exemplo. Quais músicas são permitidas? Que tipo de vídeos as crianças podem postar?

Conversem sobre quais músicas seria legal de dublar, ou alguma forma criativa de gravar um vídeo de 15 segundos. Pense em movimentos ou danças que podem combinar com a música. Se envolva e participe, se faça presente.

12 dicas para escolher apps para seus filhos

Existe uma grande quantidade de aplicativos disponível nas lojas, ainda mais do universo infantil. Mas como decidir quais apps baixar para as crianças, ou como saber se são bons ou confiáveis? Fizemos uma lista com 12 dicas de como escolher apps para seus filhos.

Foto de uma mãe, sorrindo, com seus dois filhos numa cabana de cobertores utilizando um app infantil no iPad. Uma criança de aproximadamente dois anos e outra criança, sorrindo, de aproximadamente quatro anos. Há ilustrações de estrelas, um óculos com microfone na criança mais nova e uma tiara do poder.
Apps que simulam experiências estimulam a criatividade e não insere a criança em um mundo à parte em que ela perde a noção de tempo.

1) Compras dentro dos apps

Compras dentro dos apps, ou seja, quando os próprios aplicativos tentam vender “bônus” por exemplo, geram uma frustração na criança e uma ansiedade de consumir que está sendo ofertado. Claro que tudo tem um equilíbrio: não há problema nenhum em ter uma ou outra coisa que ofereçam para melhorar o desempenho de quem utiliza, mas em excesso e a ponto de causar ansiedade do usuário, pode ser perigoso.

2) Propaganda nos apps

Tente optar pelos aplicativos sem propagandas. Há estudos que indicam que as propagandas infantis em apps são mais violentas e “certeiras” do que as propagandas em televisão. Segundo uma matéria do popular Science baseado numa pesquisa publicada no Journal of Developmental and Behavioral Pediatrics, a regulamentação de propagandas infantis funciona diferente nos aplicativos: é menos efetiva, Para atingir a eficácia desejada, essas propagandas tratam crianças como pequenos adultos. No entanto, as crianças não conseguem perceber a diferença do que é propaganda e jogo dentro dos apps, e isso pode ser prejudicial.

3) Ícones de competência dos apps

Alguns aplicativos indicam os ícones de competência logo na descrição da loja. É bastante interessante pois você consegue ter uma noção das habilidades que seu filho pode desenvolver ao utilizar os apps. Exemplo: muitos de educação auxiliam na alfabetização.

4) Apps viciantes

Há algumas técnicas e estratégias utilizadas pelos apps de jogos que induzem ao vício. Existem alguns aplicativos liberados para crianças chamados ‘sandbox’, em que os usuários criam um mundo virtual e não existe nenhuma ou poucas dificuldades para que o jogador tenha objetivos ou barreiras dentro dos jogos, como terminar as vidas, por exemplo, que é o que faz os usuários pararem de jogar.

Outra dinâmica que leva ao vício são os jogos chamados ‘variable ratio reward’ (recompensa variável, em inglês), mesmo sistema utilizado em cassinos. Nesses games, o usuário consegue prêmios facilmente todos os dias, com qualidades aleatórias. Essa dinâmica faz com que o cérebro fique condicionado para checar os aplicativos diariamente e, com facilitadores como as roletas de prêmio do jogo ou a conexão com as redes sociais em que o usuário pode pedir vidas e prêmios aos amigos, os usuários passam horas voltando nos aplicativos para verificar se já pode voltar a jogar.

Há muitos apps com essas características no mercado e é preciso estar atento ao que as crianças consomem.

Mas e agora? Como posso saber quais apps não terão essas características?

De modo geral, os apps infantis que simulam experiências, como o preparo de uma comida, leitura de um livro ou um corte de cabelo são ótimos exemplos, pois a criança consegue fazer uma conexão com as experiências virtuais e o mundo real, e vice-versa. Estes aplicativos estimulam a criatividade e não insere a criança em um mundo à parte em que ela perde a noção de tempo.

Truth and Tales, um aplicativo que reúne livros infantis interativos, é o primeiro lançamento da Explot. Por enquanto, o aplicativo conta com um livro disponível, mas já estamos na produção dos próximos.

O nome do primeiro livro é A Criança e o Dragão, e conta a história de uma criança que procura pelo reino em que mora algo que lhe falta. A história traz vários minigames e é contada de tal forma que prende a atenção de quem lê.

5) Classificação indicativa

Só baixe os aplicativos que estiverem de acordo com a idade de sua/seu filha(o). Se a criança está fora da classificação indicativa, é porque o conteúdo é muito difícil ou há elementos dentro dos apps que não foram pensados para pessoas fora da classificação.

6) Controle de Luz Azul

Controle de luz azul serve para que o sono da criança não seja tão afetado quando os aplicativos são utilizado de noite. Há vários disponíveis com esta ferramenta.

7) Número de downloads e feedback

Checar o número de downloads dos apps e os tipos de comentários são boas referências para decidir se valem a pena, se funciona, se o desenvolvedor está a disposição para resolver bugs e responder os usuários.

8) Storytelling (narrativa)

Storytelling é a forma com que a história é contada, seja através de um jogo, apps de educação, ou vídeos. Sempre há uma história e um contexto por trás das coisas. E é importante checar se a criança consegue acompanhar a complexidade da narrativa, e se a mesma é apropriada com o contexto em que a criança vive.

9) Tipos de apps (jogo, social, vídeo, educativo)

É legal sempre ficar de olho nos tipos de apps que seu filho quer baixar. Ter um equilíbrio entre jogos, aplicativos de vídeo, educativos e livros vale muito a pena. Vale lembrar que apps sociais como Facebook e Instagram só são permitidos a partir dos 13 anos.

10) Selos e prêmios

Ter selos e prêmios significa qualidade, já que o aplicativo passou pela revisão e crítica de pessoas que não são os desenvolvedores e “competiu” com outros apps pelos selos ou prêmios.

11) Empresa

É sempre recomendável pesquisar sobre a empresa que desenvolve os jogos e aplicativos. Tem site? Desenvolveu outros apps? Existe um FAQ? Além disso, dá mais segurança se você tiver alguma dúvida ou problema para resolver em relação ao aplicativo.

12) Controle Parental

É uma ferramenta essencial nos apps para que a criança não tome algumas decisões sem a presença dos pais, como compras sem a permissão.